quarta-feira, 30 de novembro de 2011

   Fazer nossa mente voltar ao passado não é fácil. Tudo é muito bagunçado, informações consideradas importantes encobrem outras que talvez fossem as verdadeiramente necessárias. Fatos são esquecidos, cenas são inventadas, e então o real vira imaginário, e o imaginário, real.
   Lembranças esquecidas dificultam nosso entendimento do passado, não tendo certeza do que aconteceu, não tem como criar uma opinião concreta sobre o assunto. Quando um alguém diz "Não gosto disso", o tempo transforma em um "Odeio você", e assim nossa memória vai se modificando.
   Não tenho muita certeza do que aconteceu, mas tenho certeza do que vai acontecer.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

   Liz entrou na sala do curso e se sentou na segunda fileira da frente. Fora a quarta a chegar e só faltavam 5 minutos para dar o horário. Recordou-se que sua amiga Flávia havia dito que seriam 25 alunos, aliás, Flávia também não havia chegado.
   Liz começou a pensar sobre o curso... Curso de fotografia. Adorava tirar fotos do mundo ao seu redor e queria aprender sobre esta arte tão encantadora.
   O curso apareceu em boa hora. Andava muito triste, muito morta. Flávia estava tentando ajudá-la a manter uma rotina mais ou menos cheia. Quanto mais ocupada uma cabeça, menos espaço ela tem para pensar bobagens.
   Um pássaro pousa na árvore ao lado da janela da sala. "Essa cidade é cheia desses" pensa Liz ao ver o pássaro verde começar a cantar. "Tão lindo..."
   - Liz! Desculpa a demora. Encontrei Carlos no meio do caminho, acabamos conversando e... Bem, você entendeu. - disse Flávia, respirando rápido, mais rápido do que para uma simples corridinha.
   - Tudo bem, cheguei agora pouco mesmo. Você deve ser o Carlos - Liz cumprimenta o garoto ao lado da amiga - Prazer em conhecê-lo.
   - O prazer é todo meu, Liz - Carlos fala encarando-a de forma intensa, deixando-a envergonhada.

domingo, 20 de novembro de 2011

   - Sabe...
   - Hm?
   - Se um pássaro esquecesse para onde fica o norte ou o sul... Se tivesse se perdido do bando, e estivesse sozinho no mundo... Ele iria morrer? - a garota olha para o outro e espera a resposta que acaba sendo uma expressão de desentendimento - Seria um passarinho muito triste... Não teria amigos e teria que sobreviver sozinho nesse mundo malvado. Gostaria que alguém achasse esse passarinho... Cuidasse dele, tornasse-o feliz... - olha para o céu e um pássaro está sobrevoando o parque - Você conhece algum "alguém"?
   Carlos finalmente entende do que a garota estava falando. Elizabeth não havia superado a perda da família, estava ainda procurando seu "ninho". Ele poderia ser o "alguém" que seu coração está esperando, mas não quer uma garota deprimente ao seu lado. Sabe o que tem que ser feito. E faz.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

   Sentada na janela do quarto, Liz lê um livro. Está na parte mais emocionante, o mocinho vai beijar a mocinha no parque da cidade depois de ter feito uma das declarações mais bonitas que Liz já viu. Após terem se conhecido num cursinho depois da escola tornaram-se grandes amigos, começando, assim, uma linda história de amor.
   Liz fecha o livro e o joga em cima da mesa.
   - Que grande mentira.
   É verdade que Liz gostou da declaração, mas não podia admitir isso. Não queria admitir para si mesma que sentimentos verdadeiros poderiam existir após tudo que viveu meses atrás.
   Seu coração ainda dói quando pensa naquilo... Quando pensa nele...